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- Lenda da Bengala e S. Gonçalo
Diz o povo que S. Gonçalo era muito brincalhão e traquina, rindo-se das malandrices que fazia. O povo é que não apreciava essas “partidas” e acabou por expulsá-lo de Tagilde. S. Gonçalo atirou a bengala, caindo esta na freguesia de S. Paio, para onde foi viver. Mas, parece que mais uma vez não foi bem recebido pela população. Por isso, mais uma vez lançou a bengala, que caiu em Amarante. Aí o Santo foi bem recebido e amado pelo povo. Foi nesta terra que S. Gonçalo ficou conhecido, pois a ele atribuiu-se a construção da ponte dobre o Rio Tâmega e do Mosteiro que têm o seu nome.
- Lenda de S. Gonçalo e os Pássaros
Certo dia os pais de S. Gonçalo (que eram pessoas profundamente religiosas) pretendiam ir a uma romaria a uma aldeia próxima (S. Paio). Mas, como o milho-alvo estava a secar na eira, incumbiram S. Gonçalo de afugentar os pássaros para não o comerem. O Santo, então menino, deixou que os pais partissem e pôs-se a pensar numa forma de ir à festa, sem que os pássaros lhe comessem o milho.Foi então que chamou os pássaros e prendeu-os num alpendre. Quando os pais o viram na festa ficaram zangados e foram logo para casa, pois não acreditavam no que o filho lhes dizia. Ao chegar a casa viram o milho todo na eira e os pássaros todos presos. Ao ver tal coisa, o pai logo pensou em cozinhar alguns, mas S. Gonçalo abriu-lhes a porta do alpendre, dizendo: “Fujam passarinhos!”.
- Lenda de S. Gonçalo e as Moças
Dizem que S. Gonçalo era brincalhão e um pouco atrevido com as moças que iam à fonte. Reza a Lenda que S. Gonçalo ficava perto da fonte (que hoje tem o seu nome) e quando as moças iam buscar água, ele partia-lhes as cantarinhas. Elas ficavam desesperadas e iam para casa pedir ajuda e contar o sucedido. Quando os pais das moças lhe iam pedir bater ou pedir explicações, este dizia que tal não era verdade e mostrava-lhes as cantarinhas intactas. Perante isto, os pais das moças ficavam zangados e castigavam-nas.
- Lenda do Baptismo de S. Gonçalo
Reza a Lenda que S. Gonçalo foi baptizado oito dias após o seu nascimento. Logo que o retiraram da pia baptismal e o limparam com a toalha de baptismo, S. Gonçalo fixou os olhos em Jesus Cristo crucificado, sorriu e abriu os braços estendendo-os dando graças a Deus da graça que havia recebido. Esta lenda é também relatada pelo Padre António Vieira, no seu Sermão de S. Gonçalo: “S. Gonçalo, Santo e admirável Santo, na primeira idade de menino… não foi menino, senão menino homem… E quando começou este grande menino a mostrar publicamente que era menino homem? Oito dias depois de nascido, que foi o do seu baptismo. Saiu da pia onde os outros meninos estranham tanto o rigor da água, e quando a ama o recolheu nos braços para o acalentar do choro e mamar, fitou os olhos em um Cristo crucificado, e com um rosto alegre, e os bracinhos abertos e estendidos parecia que lhe dava as graças da graça que recebera”.
- Lenda de D. Fernando e D. Leonor Teles
O que estaria o rei D. Fernando a fazer em Tagilde no dia 10 de Julho de 1372 quando foi firmado o Tratado da Aliança Anglo-Português (Tratado de Tagilde)? Leonor Teles era casada com João Lourenço e Cunha, quando se envolveu com D. Fernando. Então, o marido traído lançou uma praga à mulher, dizendo que a sua cara deveria encher-se de verrugas. D. Leonor Teles temendo a concretização de tal maldição e tendo conhecimento dos poderes curativos de S. Bento para tal mal, prometeu ao Santo, subir ao seu monte de cravo branco na boca, no dia 11 de Julho (dia de S. Bento). Assim se explica o facto de na véspera da festividade, o rei e a sua esposa se encontrarem em Tagilde.
- Lenda da Prisão da Quinta da Torre
Contam os mais antigos da freguesia, que na Quinta da Torre existiu uma gruta que servia de cadeia aos malfeitores da região. Quando aí chegavam, ao tocarem nas armas do portão da dita quinta, ou nas pedras da gruta, os seus pecados eram perdoados, podendo aí viver, sem que fossem perseguidos.
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